
Thiago Pacheco
Durante uma viagem rodoviária, os colegas de faculdade Bill e Stan param em um botequim de beira de estrada no interior do Alabama para fazer um lanche. No entanto, logo depois que saem dali o atendente que os serviu é assassinado – e eles acabam presos por um crime que não cometeram. Sem dinheiro para contratar um advogado, os jovens estão prestes a padecer aos cuidados de um defensor dativo quando Bill (interpretado por Ralph Macchio, famoso pela franquia “Karate Kid”) lembra de seu primo, Vinny Gambini, de seu nativo bairro do Brooklyn, em Nova Iorque. Vinny (em grande interpretação de Joe Pesci) era mecânico de automóveis e apenas muito recentemente se tornou advogado – depois de passar no “bar exam” (o equivalente americano do exame da Ordem) após sua sexta tentativa. Vinny prontamente aceita o caso e viaja para o Alabama com sua companheira, Mona Lisa (Marisa Tomei).
A defesa dos jovens começa conturbada, com Vinny tentando se passar por um advogado experiente de Nova Iorque e usando um pseudônimo – o que não escapa ao durão juiz Haller, que seguidamente enquadra Vinny por desacato. A falta de conhecimento e experiência do recém-advogado é alarmante: ele não argui nenhuma das testemunhas de acusação durante uma audiência preliminar, e Stan o destitui, preferindo ser representado por um defensor público. Bill continua sendo defendido por seu primo, que aos poucos vai “pegando o jeito” do procedimento e se acostumando aos trâmites processuais – muito mais, com o tempo, do que a população interiorana do Alabama leva para se habituar aos modos de “cidade grande” do causídico novaiorquino.
Mesmo inexperiente e um tanto boquirroto, Vinny consegue aos poucos emplacar uma estratégia de defesa – e em meio a diálogos e intervenções hilárias, vai demonstrando a inocência de seu constituinte. O momento chave, no entanto, ainda está por vir – e é ouvindo sua própria noiva, Mona Lisa, que Vinny consegue desvincular Bill e Stan dos fatos da ação penal. Mesmo sem testemunhar os acontecimentos, Mona Lisa é surpreendentemente versada a respeito de carros, em seus mínimos detalhes técnicos e históricos. Ouvida como testemunha especialista – quase como o perito que é ouvido em audiência – ela distingue precisamente o carro de Bill e Stan daquele vinculado ao assassino do atendente do botequim. Agora, cabe ao júri decidir o destino dos jovens. Teria a defesa atrapalhada – mas aguerrida – do primo Vinny logrado salvá-los?
Na época de seu lançamento, “Meu Primo Vinny” foi anunciado com o seguinte slogan: “Muitos filmes de tribunal glorificam o grande sistema legal americano. Este não é um deles”. O deboche, no entanto, é muito mais, por assim dizer, procedimental – digamos que Vinny, ao se vestir com ternos que fariam Saul Goodman ser confundido com James Bond, mesmo assim respeita e representa bem os core values de todo bom sistema jurídico.






