
Thiago Pacheco
“Nuremberg” estreou há pouco nos cinemas do Brasil, e ainda não está disponível no streaming – mas circulam há meses na internet diversos trechos de cenas em que Hermann Göering (interpretado por Russel Crowe) discute com o psiquiatra Douglas Kelley (Rami Malek) ou enfrenta o procurador Robert H. Jackson (Michael Shannon). O filme vem gerando grande expectativa pela atuação de Crowe e Malek; mas, é claro, não é a primeira vez que os julgamentos de Nuremberg foram examinados pelo cinema.
Em 1961, Spencer Tracy e grande elenco estrelaram “Julgamento em Nuremberg”, filme baseado em um roteiro televisivo e que não retrata o bem conhecido julgamento dos líderes militares e auxiliares diretos de Hitler remanescentes ao fim da guerra – mas um evento menos célebre: o processo respondido por juízes e promotores de justiça alemães que, durante o regime nazista, de alguma maneira colaboraram para legitimá-lo. Este evento, real, foi ficcionalizado no filme, com os personagens recebendo nomes diferentes – e a quantidade de Réus sendo bem maior que a ali retratada. De toda forma, os grandes temas em discussão, como a aparente indiferença do povo alemão às atrocidades do regime, ou o argumento de servidores públicos de que estavam “apenas seguindo ordens” refletem as discussões do julgamento mais famoso, ao mesmo tempo em que os trazem para mais perto do cidadão comum, do pequeno burocrata e do funcionário que, muitas vezes, pouco ou nada podia fazer – para o bem ou para o mal.
Mais recentemente, em 2000, “Nuremberg”, uma minissérie de televisão em dois episódios, retrata detalhadamente o julgamento de Hermann Göring (em grande interpretação de Brian Cox), Albert Speer e de outros notórios líderes nazistas – desde a estruturação “política” do tribunal (que, embora julgando indizíveis atrocidades, era de fato um tribunal de exceção) até a organização da defesa dos acusados e os inevitáveis enfrentamentos que viriam. Göring confronta seus captores americanos quando é acusado de genocídio, perguntando se as bombas atômicas lançadas sobre o Japão não teriam causado um resultado semelhante – ou se a segregação dos soldados negros nas forças armadas dos EUA não poderia ser comparada ao tratamento dispensado pela Alemanha nazista aos judeus. A série foi exibida originalmente no canal a cabo TNT, tendo sido, na época do lançamento, a série de televisão mais bem avaliada da história. Pode ser localizada, hoje, em versão dublada, no YouTube. “Julgamento em Nuremberg”, por sua vez, está ausente da maioria dos serviços de streaming, mas, aparentemente, disponível no serviço Apple TV – sabe-se lá até quando. Ambos, mesmo diante das dificuldades de acesso, merecem muito ser revisitados, com o filme de 1961 podendo mesmo clamar o título de clássico dos filmes de tribunal.

“Nuremberg”, a minissérie, 2000.

“Julgamento em Nuremberg”, 1961.












