Filme de Tribunal: uma jornada de redenção em “O Veredito”.

Thiago Cantarin Moretti Pacheco

Um caso judicial aparentemente simples e destinado a um acordo fácil pode servir para redimir um advogado? Este é um dos temas em “O Veredito” (1982), roteirizado por David Mamet e dirigido pelo mesmo Sidney Lumet do clássico “Doze Homens e uma Sentença” (1957). 

Paul Newman interpreta Frank Galvin, advogado outrora promissor, mas que acaba caindo na vala comum das causas de “porta de cadeia” e sofrendo de alcoolismo – e quando nada parece que pode mudar, seu ex-sócio o indica uma causa de erro médico que poderia facilmente ser resolvida com uma transação entre as partes. Frank, no entanto, se compadece de sua cliente, e, convencido de estar fazendo a coisa certa, nega o acordo. 

A preparação para o julgamento é cheia de percalços, com o desaparecimento do perito médico que seria assistente técnico da autora e sua substituição, de última hora, por outro profissional, cuja competência é posta em questão. A parte contrária, por sua vez, conta com uma grande equipe de advogados e relações públicas, de modo que Gavin é como um humilde Davi enfrentando Golias. 

Iniciada a fase de debates, Gavin é enquadrado pelo juiz, que ameaça cassar sua permissão para exercer a advocacia, e se vê diante de depoimentos que parecem pôr abaixo a pretensão de sua cliente. Inabalável, ele prossegue, e suas alegações finais – orais, diante dos jurados, como é da tradição do sistema americano e dos casos escolhidos para virar filme – ditas com grande convicção, lhe garantem a vitória – e a redenção.